domingo, 3 de outubro de 2010

Ter trinta!



Eu nunca havia parado para pensar sobre o fato de ter trinta. Embora eu esteja prestes a dar a luz novamente (na verdade eu queria escrever: parir a segunda cria, mas dei uma enfeitada). É que esse negócio de dar a luz é muito ambíguo: não sou da central elétrica, não sou curandeira, não sou banco financiador, não sou santa... Mas tudo bem, enfim, embora um fato tão relevante da minha vida, um quase símbolo do que é ter 30 anos esteja acontecendo nesse momento, eu me questiono... Já reparou que a mulher tem que estar com a vida “resolvida” antes dos trinta. E eu pergunto: Hã? Como assim, a vida resolvida? O que isso significa verdadeiramente?

Pois bem, me dei conta de um monte de coisas. Nós mulheres, e principalmente mulheres da minha geração, somos doutrinadas pelas nossas antecessoras biológicas - singelamente chamadas de mãe -, que ao chegar aos 30 anos temos que estar com a vida feita – leia-se: formadas, bem-sucedidas, felizes, casadas, com filhos e lindas. Fico feliz que hoje o ‘formadas’, ‘bem-sucedidas’ e ‘lindas’ já façam parte dos quesitos, pois há muito pouco tempo só os outros três já bastavam para elas (e para muitas de nós). É uma questão especialmente social. O bom disso é que a sociedade muda com tempo e de uns anos pra cá as mudanças se dão em muito, mas muito pouco tempo.

É daí que percebemos que somos cada dia mais pressionados a estar com a “vida resolvida” cedo, temos cada dia menos tempo, queremos tudo já. Nós queremos estar lindas sempre, malhadas, saradas, queremos já ter dois filhos antes de “passar da idade”, queremos ser perfeitas, formadas, se possível, em duas faculdades, termos um excelente emprego, sermos independentes e termos um casamento feliz. Noooossaaaa, que tarefinha fácil não? O pior é que consideramos esse projeto de vida por tanto tempo, que custamos a aceitar que as coisas possam sair diferentes disso. Demoramos a nos adequar a novos ritos, a outras noções de comportamento. Achamos que com trinta anos temos que ser maduros e que amadurecer é estar quites com o “planejado”. Não temos o direito de mudar de plano, de tentar o plano B quando percebemos que o A não vai sair como a gente queria no começo, que agora os rumos são outros? Me digam, amadurecer é isso?

Definitivamente eu pensei por muito tempo que sim. E só agora vejo que o amadurecimento não é isso. Não nego que me sinta feliz em me tornar mãe duas vezes antes dos trinta. Mas pergunto: Eu seria menos mãe ou menos realizada se tivesse apenas uma filha ou se fosse mãe aos 40, por exemplo? Ou ainda: eu seria infeliz se optasse em não ser mãe? E se eu tivesse escolhido viajar pelo mundo, ser atriz, bailarina, puritana, virgem...?? E olha que tirando os dois últimos eu já cogitei as hipóteses. Vivi amores, me apaixonei, me formei numa boa faculdade, tive um bom emprego, fui mãe, fui linda, fui feliz, tudo antes dos tais 30 anos e daí? Deu? Já acabou? Era isso? Agora posso me aposentar dos planos e das vontades da vida?Meu caminho foi traçado e cumprido, agora é só manter? Eu quero me apaixonar mais, viver amores, aprender outras coisas, dançar, brincar, curtir, me envaidecer, me tornar avó, viajar, subir ao palco da vida e ser feliz cada vez mais e por diferentes razões!

Tem coisas que só vivendo mesmo para saber. Agora sei o que é ter trinta! É gostar de Beatles, é ter tempo para ler bons livros, é cuidar do corpo e da alma, é curtir ficar sozinha de vez em quando, é querer festar de vez em quando, é abraçar um filho, lembrar daquela viagem, é brigar com o namorado, é namorar o marido, é gostar de caminhar na praia, é ter preguiça de malhar, é ser uma mulher que gosta de brincar de balanço, uma menina que brinca de salto alto. Ter trinta é só o começo! Beijos

P.S:Fazia tempo né? Tava com saudades de postar aqui!Será que voltei pra ficar? Aff, quem vai saber?!! :)

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Bloqueio criativo!

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Sou uma motocicleta


São 14h27min, no meio da sala ela decide se encara as mais diversas tarefas que lhe tomariam o dia rapidamente, ou se entrega outra vez a vontade do nada, largada na cama... Enquanto isso resolve relaxar com um pouco de música, música urbana. Sente-se feliz, inicia ali o tal balanço mental sobre os últimos dias – atípicos esses – Por um momento pensa: “ainda não estou pronta pra saber a verdade, ou não estava até uma estação atrás” e não, isso não era uma comédia romântica.

Mas a verdade estava ali, nua e crua diante de seus olhos, que então seja dita: tudo que foi dito foi pesado. Cada um pegou seus quilos de verdade e saiu feira afora, se equilibrando com seus sacos de franquezas e pequenas mágoas. Não teve jeito, a verdade agiu com a mesma sutileza de motocicletas querendo atenção às 03 da manhã.

Enquanto digita o que pensa para não perder a linha de raciocínio (tá eu sei parece piada, mas sim, nossa amiga ainda consegue raciocinar, ok?!). Ela percebe que está usando o seu tempo de maneira muito favorável, embora as rugas no espelho digam o contrário. Ela não saiu para fazer as dezenas de coisas (banco, academia, supermercado, etc.) e também não ficou trancada na penumbra do quarto se fingindo de morta. Ela fez aquilo que mais gosta de fazer: ouviu música, dançou, cantou e escreveu!

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Que tempero faltou?


Relações começam e acabam a todo o momento, alguém já parou pra tentar descobrir o porquê disso? Com certeza, essa já deve ter sido pauta de muito texto que rola por aí. Como não gosto de ficar para trás (outra pauta para debater dia desses), vou dar a minha visão a respeito de.

As relações podem começar de um jeito “tradicional”, inusitado, com excitação, com um sorriso de amigo que quer ser colorido, ou do jeito torto, com terrível antipatia pela pessoa, no entanto, com forte atração, entre outras tantas maneiras.

*Tradicional apareceu aspado porque nesse contexto há muita coisa, o sentido é abrangente, é baseado na tradição. Num mundo tão amalgamado, diverso e profuso de tradições, fica quase impossível definir esse tipo de relação.

Talvez aquela relação que começou tão bem, tão apaixonada tenha se perdido na falta de algo. Seja a falta da docilidade das palavras, do salgado suor dos corpos estremecidos, das insossas brigas que mais serviam para encher de puro mel a reconciliação (sim, bem piegas e clichê essa parte, mas e quem disse que a pieguice não existe mais nas relações?). Ou talvez tenha faltado um ingrediente que para uns é forte demais para estar no cardápio e que para outros é o que há de melhor: faltou pimenta!

Aquele que aprecia tal condimento se delícia com o ardor que insensibiliza a língua, esquenta os lábios, provoca fogo por todo o corpo e te faz sentir o ar mais necessário, a água mais vital. Ao contrário desses estão aqueles que não suportam o estado tórpido que a pimenta lhe causa. O calor que o corpo fica pode lhe explodir pulmões, estômago e até o coração. Não esses jamais saberiam lidar com reações tão fortes e ardentes!

Geralmente, as relações com abundância em açúcar tendem a desmoronar num período de sete meses no máximo. As que abusam do sal, por incrível que pareça, tendem há durar um pouco mais que as docinhas, não muito, ou o suficiente pra que uma das partes dê jeito de apimentar sozinha a relação. Quer saber? É sempre bom ter um estoque razoável de doce, um bom tanto de sal e aquela quantidade e tipo de pimenta certa para temperar tudo e fazer com que dure mais do que o tempo “tradicional”.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Ainda aqui!


Tenho tentado escrever e deixar esse blog atualizado, mas confesso que está difícil (essa frase já foi dita aqui). Outro dia falei pra um amigo que estava sofrendo um bloqueio criativo. Hoje vejo que não é exatamente isso e chego à conclusão de que preferia estar sofrendo o tal bloqueio. Mas o fato é que minha mente tem trabalhado tão incansavelmente que não dou conta de colocar no papel o que deve ou pode ser colocado – no papel é maneira de dizer, vocês sabem que me refiro ao tal Microsoft Word versão super atualizada -

Passei dias incomuns, criei situações inusitadas, não tive um dia sequer de rotina. Acordei querendo dormir pra sempre e dormi querendo que a noite não tivesse chegado. Depositei toda a minha vida num momento e vi que não era o momento certo. Deixei o momento certo pra mais tarde, pois ainda há muita vida pra ser depositada. Descobri o quão insano pode ser meu maior lance de lucidez... E sim, vi que quanto mais tempo demoro pra escrever o que penso, mais confuso e trabalhoso é fazê-lo.

Mas hoje, só hoje, resolvi escrever sem pressão, sem esforço intelectual, sem muita comiseração pela gramática. Escrevi porque fiquei a fim de e ponto! E quanto aos meus dias, minhas histórias novas, as “maluquices” que me acometeram no decorrer das últimas semanas... Ah, isso eu falo outra hora!

Beijos e boa semana pra quem lê, pra quem não lê, pra quem precisa de uma boa semana oras!!!

terça-feira, 14 de julho de 2009

É e muito!


Eu que já tinha aquele tipo de quedinha homérica pelo ator Daniel de Oliveira - não apenas pelo talento como também por aquela carinha perfeita - não poderia deixar de postar o conteúdo da cena que foi apresentada hoje na minisérie Som e Fúria, da rede Globo


“Ser ou não ser, eis a questão: será mais nobre
Em nosso espírito sofrer pedras e setas
Com que a Fortuna, enfurecida, nos alveja,
Ou insurgir-nos contra um mar de provocações
E em luta pôr-lhes fim? Morrer.. dormir: não mais.
Dizer que rematamos com um sono a angústia
E as mil pelejas naturais-herança do homem:
Morrer para dormir… é uma consumação
Que bem merece e desejamos com fervor.
Dormir… Talvez sonhar: eis onde surge o obstáculo:
Pois quando livres do tumulto da existência,
No repouso da morte o sonho que tenhamos
Devem fazer-nos hesitar: eis a suspeita
Que impõe tão longa vida aos nossos infortúnios.
Quem sofreria os relhos e a irrisão do mundo,
O agravo do opressor, a afronta do orgulhoso,
Toda a lancinação do mal-prezado amor,
A insolência oficial, as dilações da lei,
Os doestos que dos nulos têm de suportar
O mérito paciente, quem o sofreria,
Quando alcançasse a mais perfeita quitação
Com a ponta de um punhal? Quem levaria fardos,
Gemendo e suando sob a vida fatigante,
Se o receio de alguma coisa após a morte,
–Essa região desconhecida cujas raias
Jamais viajante algum atravessou de volta –
Não nos pusesse a voar para outros, não sabidos?
O pensamento assim nos acovarda, e assim
É que se cobre a tez normal da decisão
Com o tom pálido e enfermo da melancolia;
E desde que nos prendam tais cogitações,
Empresas de alto escopo e que bem alto planam
Desviam-se de rumo e cessam até mesmo
De se chamar ação.
(…)”

Brandura!


Menino destinado a me serenar, tão alheio ao meu caos existencial que me faz ser outra, uma outra que eu gosto, que me deixa a vontade para pensar o que quiser, me permitir, me ver, ela sim... a verdadeira eu!

De sorriso doce, trazendo consigo aquela inquieta ânsia que se percebe ao balanço contínuo das pernas - puxa que pernas - Ele desmonta qualquer pensamento desnecessário com um abraço aconchegante e um beijo ardente... Que combinação perfeita essa, deixa tudo a um passo do inevitável!

E que o inevitável torne-se necessariamente fatal e contínuo conforme a pele clamar! Vivacidade, mistura de muita coisa que misturada é um grande problema ou uma intensa delícia!

Lá vem ele, deixa tudo parecer fácil, simples... é isso que o torna encantador, embora outras qualidades absolutamente visíveis a olho nu possam também se destacar. Para ele você pode falar tudo que estiver com vontade de falar e se optar pelo silêncio ele entende a mensagem e entra na mesma sintonia, é praticamente uma lenda!

Claro que esse lindo menino tem que saber desde já que as coisas para você, com você acontecem exatamente do seu jeito, nada pode sair diferente. Embora use artimanhas para tentar te convencer de estar especialmente a maneira que lhe agrade, no final, com uma insistência excitante te convence a fazer o que de melhor você sabe fazer!

O mais importante é que ele vai estar ali, sempre que sua mente estiver acelerada demais, ele voltará a te serenar por inteiro – deixando o ar com aroma de maçã e canela! Ah, esse menino!

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