Sou uma motocicleta

São 14h27min, no meio da sala ela decide se encara as mais diversas tarefas que lhe tomariam o dia rapidamente, ou se entrega outra vez a vontade do nada, largada na cama... Enquanto isso resolve relaxar com um pouco de música, música urbana. Sente-se feliz, inicia ali o tal balanço mental sobre os últimos dias – atípicos esses – Por um momento pensa: “ainda não estou pronta pra saber a verdade, ou não estava até uma estação atrás” e não, isso não era uma comédia romântica.
Mas a verdade estava ali, nua e crua diante de seus olhos, que então seja dita: tudo que foi dito foi pesado. Cada um pegou seus quilos de verdade e saiu feira afora, se equilibrando com seus sacos de franquezas e pequenas mágoas. Não teve jeito, a verdade agiu com a mesma sutileza de motocicletas querendo atenção às 03 da manhã.
Enquanto digita o que pensa para não perder a linha de raciocínio (tá eu sei parece piada, mas sim, nossa amiga ainda consegue raciocinar, ok?!). Ela percebe que está usando o seu tempo de maneira muito favorável, embora as rugas no espelho digam o contrário. Ela não saiu para fazer as dezenas de coisas (banco, academia, supermercado, etc.) e também não ficou trancada na penumbra do quarto se fingindo de morta. Ela fez aquilo que mais gosta de fazer: ouviu música, dançou, cantou e escreveu!







