Ter trinta!

Eu nunca havia parado para pensar sobre o fato de ter trinta. Embora eu esteja prestes a dar a luz novamente (na verdade eu queria escrever: parir a segunda cria, mas dei uma enfeitada). É que esse negócio de dar a luz é muito ambíguo: não sou da central elétrica, não sou curandeira, não sou banco financiador, não sou santa... Mas tudo bem, enfim, embora um fato tão relevante da minha vida, um quase símbolo do que é ter 30 anos esteja acontecendo nesse momento, eu me questiono... Já reparou que a mulher tem que estar com a vida “resolvida” antes dos trinta. E eu pergunto: Hã? Como assim, a vida resolvida? O que isso significa verdadeiramente?
Pois bem, me dei conta de um monte de coisas. Nós mulheres, e principalmente mulheres da minha geração, somos doutrinadas pelas nossas antecessoras biológicas - singelamente chamadas de mãe -, que ao chegar aos 30 anos temos que estar com a vida feita – leia-se: formadas, bem-sucedidas, felizes, casadas, com filhos e lindas. Fico feliz que hoje o ‘formadas’, ‘bem-sucedidas’ e ‘lindas’ já façam parte dos quesitos, pois há muito pouco tempo só os outros três já bastavam para elas (e para muitas de nós). É uma questão especialmente social. O bom disso é que a sociedade muda com tempo e de uns anos pra cá as mudanças se dão em muito, mas muito pouco tempo.
É daí que percebemos que somos cada dia mais pressionados a estar com a “vida resolvida” cedo, temos cada dia menos tempo, queremos tudo já. Nós queremos estar lindas sempre, malhadas, saradas, queremos já ter dois filhos antes de “passar da idade”, queremos ser perfeitas, formadas, se possível, em duas faculdades, termos um excelente emprego, sermos independentes e termos um casamento feliz. Noooossaaaa, que tarefinha fácil não? O pior é que consideramos esse projeto de vida por tanto tempo, que custamos a aceitar que as coisas possam sair diferentes disso. Demoramos a nos adequar a novos ritos, a outras noções de comportamento. Achamos que com trinta anos temos que ser maduros e que amadurecer é estar quites com o “planejado”. Não temos o direito de mudar de plano, de tentar o plano B quando percebemos que o A não vai sair como a gente queria no começo, que agora os rumos são outros? Me digam, amadurecer é isso?
Definitivamente eu pensei por muito tempo que sim. E só agora vejo que o amadurecimento não é isso. Não nego que me sinta feliz em me tornar mãe duas vezes antes dos trinta. Mas pergunto: Eu seria menos mãe ou menos realizada se tivesse apenas uma filha ou se fosse mãe aos 40, por exemplo? Ou ainda: eu seria infeliz se optasse em não ser mãe? E se eu tivesse escolhido viajar pelo mundo, ser atriz, bailarina, puritana, virgem...?? E olha que tirando os dois últimos eu já cogitei as hipóteses. Vivi amores, me apaixonei, me formei numa boa faculdade, tive um bom emprego, fui mãe, fui linda, fui feliz, tudo antes dos tais 30 anos e daí? Deu? Já acabou? Era isso? Agora posso me aposentar dos planos e das vontades da vida?Meu caminho foi traçado e cumprido, agora é só manter? Eu quero me apaixonar mais, viver amores, aprender outras coisas, dançar, brincar, curtir, me envaidecer, me tornar avó, viajar, subir ao palco da vida e ser feliz cada vez mais e por diferentes razões!
Tem coisas que só vivendo mesmo para saber. Agora sei o que é ter trinta! É gostar de Beatles, é ter tempo para ler bons livros, é cuidar do corpo e da alma, é curtir ficar sozinha de vez em quando, é querer festar de vez em quando, é abraçar um filho, lembrar daquela viagem, é brigar com o namorado, é namorar o marido, é gostar de caminhar na praia, é ter preguiça de malhar, é ser uma mulher que gosta de brincar de balanço, uma menina que brinca de salto alto. Ter trinta é só o começo! Beijos
P.S:Fazia tempo né? Tava com saudades de postar aqui!Será que voltei pra ficar? Aff, quem vai saber?!! :)







